sábado, 3 de dezembro de 2016

As Caça Fantasmas - Um Filme para Você Não Levar a Sério



Por Davi Paiva

                    ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS!


Nota: estou ciente que esse filme é de suma importância para a representatividade e empoderamento feminino. Não estou tirando o direito de ninguém gostar do filme. Você pode continuar gostando que eu não vou reclamar. Capiche?


 Pode continuar com esse sorrisinho maravilhoso, garotinha! Seja feliz! Eu não gostei e isso é problema MEU!


Fazer reboots, ao contrário do que as pessoas pensam, não foi uma coisa que começou com a nova série de filmes do Homem-Aranha. Duvida? Faça uma pesquisa para ver quantas vezes alguns clássicos como O Conde de Monte Cristo ou O Pequeno Príncipe foram adaptados ao cinema.

Se é uma coisa tão antiga, por que tem ganhado tanta força?

A meu ver, porque o cinema está com dificuldades de se reinventar. Os grandes sucessos da atualidade são filmes de super-heróis ou adaptações de livros para o cinema (a maioria são young adults, com o último dividido em duas partes). E o reboot serve não só como opção alternativa como também uma forma de trazer de volta a mitologia de um filme para a nova geração. Se você duvida, veja o sucesso de Mad Max.

A ideia de fazer um terceiro filme da série Caça-Fantasmas já era uma coisa planejada há muito tempo. Com o sucesso do primeiro filme, de 1984, arrecadando US$ 291 milhões no mundo todo (detalhe: o orçamento do filme foi de US$ 30 milhões), a produção investiu no segundo filme de 1989, que mesmo arrecadando US$ 215 mi (orçamento: US$ 37 milhões), só não enterrou a franquia por conta de seu sucesso em jogos e desenhos animados. Infelizmente (ou felizmente, depende da opinião de cada um), o terceiro filme nunca saía por conta das divergências de Dan Aykyrod e a produção. E com a morte de Harold “Egon” Ramis, em 2014, as esperanças foram por água abaixo.

O que fazer então?

Um reboot!


Se o primeiro filme era feito por comediantes e não se levava a sério, 
o segundo foi bem “fiel”...


Já que o primeiro filme não se levava a sério, a produção de 2016 também não resolveu se levar a sério em alguns pontos. Com um elenco que veio do Saturday Night Live ou do Youtube (oi?), As Caça-Fantasmas foi um filme com uma das piores repercussões negativas que já vi para um trailer e só o vi depois que foi lançado em DVD.

O que acho? Vamos por partes...

Elenco: inconformado com a má qualidade do filme, ouvi um podcast sobre ele e foi lá que vi a origem do tal elenco entre comediantes e youtuber. E no tal podcast, ouvi comentários de que as quatro atrizes eram engraçadas...

Engraçadas?!

Assisti ao filme e vi duas cientistas (Kristen Wig no papel de uma cientista que abandona o sonho no estudo de fantasmas e Melissa McCarthy como cientista que não abandonou. Ou seja, personalidades não muito distantes), uma garota que só estava ali para parecer a radical e com atuações bastante forçadas (Kate McKinnon), uma “negra arretada (Leslie Jones. NOTA: antes que alguém me chame de racista, não só leia este artigo como também saiba que eu sou negro)”, um ator que não se decide se faz um papel de babaca, de tímido, de sex symbol ou de tão esperto quanto as protagonistas (Chris “Thor” Hemsworth) e um vilão que não transmite carisma ou intimidação.

Qual é a graça nisso?


 Momento “fight like a girl”


Roteiro: o filme não tem uma abertura espetacular, embora o primeiro ponto de virada (a ida à mansão e o encontro de uma fantasma) seja interessante.
Infelizmente, o filme peca nas motivações de Patty (Jones) de uma forma que impressionam: uma ignorada funcionária do metrô vê que existem fantasmas... e não só aceita como também quer ajudar a combate-los? Isso pode, Arnaldo?!

Outras coisas que me deixaram surpreso:

• Por que depois do “exorcismo” de Abby (McCarthy), as personagens insistem tanto para que Kevin (Hemsworth) saia da rua? A base impediria um fantasma de atravessar as paredes?

• Como o grande vilão manipula os corpos de todo mundo e não imobiliza as quatro caçadoras?

• Como as armas que antes eram úteis para CONTENÇÃO de repente viram armas de ataque contra fantasmas?

Cenas desnecessárias: enquanto Erin (Wiig) discute com o namorado, Patty e Abby conversam... e qual a importância desta conversa, se há algo mais importante rolando ali? Nenhuma. Algo tão ruim quanto aquela dancinha da Erin com Abby...


Cena “importantíssima” do filme, que gera uma grande reviravolta! Uau...


“Troco”: o filme de 1984 tinha alguns clichês machistas como grupo só de homens e mulheres como coadjuvantes, incapazes de serem aventureiras (lembram da Janine MelnitZ?) ou mocinhas indefesas. Fato. O que o filme de 2016 faz? O contrário: o namorado de Erin é um mané que não serve nem para proteger a namorada, o chefe de Abby e Holtzmann (McKinnon) é um babaca, as protagonistas são ignoradas por um especialista (interpretado por Bill Murray) e o prefeito usa a mídia para ridiculariza-las. Isso é igualdade?

Não digo que Caça Fantasmas de 2016 seja algo que tenha “estragado a minha infância” e nem nada do tipo. Não tiro o direito de quem quiser ver ou rever. Da mesma forma como fãs de Homem-Aranha só gostam dos dois primeiros filmes da franquia iniciada por Sam Raimi ou fãs de Star Wars só gostem da primeira trilogia, cada um escolhe as produções que aprecia dentro da franquia.

Em suma, Caça Fantasmas não é um filme para ninguém levar a sério: começou com um grupo de comediantes enfrentando um monstro de marshmallow gigante (?!) e atualmente está com uma produção que aguentou muita porrada desde o começo (quando anunciaram que iam fazer um filme só com mulheres, quando anunciaram o primeiro trailer, quando o filme ficou em cartaz...) e hoje é considerado excelente por uns e taxado como mal feito por outros.

Eu sou do segundo time.

Obrigado a todos(as).







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