domingo, 11 de setembro de 2016

Esquadrão Suicida: Mais Um Deslize da DC




ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS!!!

Por Davi Paiva

A ideia de se usar criminosos para uma boa causa não é nova e nem uma ficção: o império romano usou criminosos para entreter o público na função de gladiadores, os países colonizadores mandavam criminosos aos países colonizados e tanto tropas aliadas quanto nazistas tinham criminosos entre suas tropas.
Esquadrão Suicida é o terceiro filme do universo cinematográfico da DC por mais que a Warner não admita isso (para não parecer uma cópia dos projetos da Marvel). Nele, vemos a origem da equipe de criminosos fundada por Amanda Waller (Viola Davis) e comandada por Rick Flag (Joel Kinnaman) em missões para o governo em troca de redução de pena ou melhores condições em seus presídios. Uma equipe formada por Arlequina (Margot Robbie), Pistoleiro (Will Smith), Capitão Bumerangue (Jay Courtney),  Katana (Karen Fukurara), Magia (Carla Devegine) e outros atores que só procurando no Google a gente descobre o nome.
Assisti ao filme no bom e velho Center 3 na semana de sua estreia e confesso que saí de lá com desgosto, enquanto o meu primo o viu algumas semanas depois e gostou. Se ele quiser escrever um artigo defendendo o filme, vocês o verão em breve.

O que penso dele?
Vejamos por partes...

Escolha do elenco: não se usa gente muito famosa para fazer filmes em que o personagem use uma máscara. Fato. E colocar o Will Smith no papel de Pistoleiro faz o personagem dar uma desculpa esfarrapada para não usar a máscara do personagem e poder mostrar suas expressões. E o pior: como Will Smith é um ator que faz vender um filme, é ele que tem que estrelar uma cena “badass” em cima de um carro atirando em todos os monstros enquanto o grande militar comandante da equipe... era constantemente alvo dos monstros (!!!).


Pistoleiro: como devia ser e como nos sentimos ao vê-lo


Além disso, o tão esperado Coringa nada mais foi que uma mistura de Christian Grey com gângster que gargalha em momentos aleatórios.
Menos ruim foi a atuação de Margot Robbie com sua Arlequina que não foi espetacular (começou doida, largou tudo em prol de seu amor, virou uma conselheira de boteco e no fim protege seus amigos cuja amizade se fortaleceu em dois dias...), mas deu para o gasto.
Dos demais, estão dentro do esperado. Muitos alegam que Viola Davis foi espetacular como Amanda Waller. Todavia, me dou ao direito de acreditar que uma personagem tão coadjuvante não tem peso na trama, mesmo que suas ações levem ao que o filme vende.

Trilha sonora: o filme começa com uma música... muda a cena e vem outra... muda a cena e vem mais outra... e quando você menos espera, aquele rock clássico que estavam bombardeando os seus ouvidos é substituído por Eminem (?). No segundo ato do filme, a DC volta a manter a sua identidade com trilhas sonoras instrumentais e termina o filme com uma regravação de Bohemian Raphsody que mal é tocada e é trocada pelo panteão formado por Imagine Dragons, Lil Wayne e Wiz Khalifa. Conclusão: uma trilha sonora que não é trabalhada para o filme e, sim, para vender no Spotify.

Cenas de ação: com uma psiquiatra torturada que vira uma lutadora tão boa quanto Katana, é difícil engolir as coreografias do filme. E para piorar, o uso constante de câmeras lentas faz lembrar Kung Fu Panda (só que sem o carisma da animação da Dreamworks).


Uma equipe durona... mas sem carisma.


Roteiro: Esquadrão Suicida fala de um grupo de criminosos superpoderosos usados por uma burocrata como uma ação de emergência em caso de “um novo Superman” aparecer. Uma equipe formada por um atirador de arpéus, uma psiquiatra com um taco de baseball, um atirador, um militar que não consegue se proteger, um tatuado que não luta, um primo distante do Coisa e uma maga que tem o poder de se teleportar e fazer dancinhas ridículas. Uau... o Superman vai tremer de medo ao encarar esse time!

Esta equipe vai para a sua primeira missão e já desenvolve grandes laços de amizade, que não só fazem todos aceitarem a inclusão de uma espadachim sem química com o grupo como também perdoarem a tentativa de fuga de Arlequina.
No final, todos se unem e se sacrificam para salvar o mundo. Detalhe: um mundo a beira do fim, ninguém da Liga aparece. Já quando um banco é assaltado, o Flash dá as caras...

E na cena pós-créditos, vemos não só que Waller tinhas as fichas do Flash e do Aquaman como também sabia da identidade secreta do Batman! Se era para montar uma equipe, não era mais fácil usar heróis, onde um deles é o sujeito que mais chegou perto de matar o Superman?
Detalhe: como o Batman ameaça Waller dizendo “minha equipe vai acabar com a sua” se ele tinha acabado de obter as informações que o levariam ao Flash e ao Aquaman?*

Como escritor, sei que um filme, livro, desenho ou seriado são vendidos como ideias. E cabe ao público compra-las. Mas para isso, é preciso a venda. E venda não foi o que faltou.
Imagens da equipe foram divulgadas, fotos do Coringa foram expostas, o primeiro trailer vendeu uma ideia de um Coringa sádico e o público foi compartilhando, brincando e alegando que esse seria o “Guardiões da Galáxia da DC”.
Infelizmente (ou felizmente?)... Guardiões da Galáxia existe. E deu certo.
E para piorar, a ideia de um criminoso fazendo coisas boas veio antes nos cinemas com Deadpool, que não deu tão certo quanto a louca equipe de Peter Quill, mas também deu certo dentro de sua proposta.

Considero este filme um deslize da DC por ser a jornada de um grupo que se valoriza em poucos dias, estrelado por um trio Robbie-Smith-Leto que carregou tudo nas costas ao passo que os demais personagens eram panos de fundo, com uma trilha sonora exagerada e um final decepcionante. Sem contar os furos de roteiro (como uma arqueóloga acha um artefato antigo e o quebra de imediato, como El Diablo falava a língua da Magia e de seu irmão, como Arlequina havia conseguido enganar Magia sobre suas intenções visto que a bruxa havia dito que estava na mente de todos eles, etc.).

Obrigado a todos(as).

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