domingo, 28 de maio de 2017

Game of Thrones + Faroreste + Storytelling = Westworld




Por Davi Paiva.

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS!

A sacada é muito boa: ciente do término de Game of Thrones, a produtora HBO resolveu reciclar a ideia de um filme homônimo de 1973 e produzir um seriado de 10 episódios com quase 1h de duração cada um. E embalados pelo sucesso da série de George R. R. Martin, não faltaram cenas de nudez, sexo e violência.

Outras coisas que chamaram a atenção, em tese, copiando a “fórmula de sucesso” da jornada que se passa em Westeros, foi a contratação de atores mais famosos para o elenco: alguns superfamosos (Anthony Hopkins ou Ed Harris), outros mais conhecidos no mundo dos seriados ou mídias mais nerds (Evan Rachel Wood, de “True Blood”. Ou James Marsden, da primeira trilogia de “X-Men”) e alguns mais conhecidos pelo público brasileiro (Rodrigo Santoro).

WestWorld teve a sua estreia em 2 de outubro de 2016 e seu último episódio foi ao ar em 4 de dezembro do mesmo ano. Caso você esteja lendo este artigo sem saber do que se trata, é uma série sobre um parque temático no Velho Oeste onde pessoas podem frequentar o lugar pagando uma grana alta (por isso só pessoas ricas vão lá) para viverem aventuras ou saírem por aí atirando ou transando com os personagens do parque, que na verdade são robôs e não têm consciência disso (até que alguns começam a criar consciência...). Quem pôde, viu em dia. Quem não pôde (como eu), baixou os episódios e teve que criar um certo ânimo para assistir, pois é uma série de ritmo maçante cujo momento marcante só rola nos episódios finais.

O que achei? Vamos por partes...

Elenco: como já dito, é diversificado e, ao mesmo tempo, abrange novatos (Luke Hemsworth?! Essa família é recheada de atores...) e veteranos. E em minha humilde opinião, a inclusão do Rodrigo Santoro traz ao povo brasileiro um sentimento patriota de pensar “esse é um brasileiro em uma produção norte-americana de sucesso”.


Admita: a entrada dele foi triunfal!


Atuações: escolhendo um bom time, é claro que podemos esperar bons resultados. Rachel Wood nos entrega uma personagem amável, Thandie Newton (Maeve) nos dá uma personagem quase tão calculista e inteligente quanto Hopkins, e para um sujeito que gosta de heróis íntegros como eu, a atuação de Jimmi Simpson (William) nos faz pensar que podemos nos identificar com ele. Pena que as coisas mudam muito...

Trilha sonora: Ramin Djawadi é o cara!
Ele manda bem em “Game of Thrones” e “Pacific Rim”. E em uma série que se passa no mundo que conhecemos, nada mais natural que colocar músicas que conhecemos. E nada é mais louco que ver músicas conhecidas tocadas nos pianos de saloons do Velho Oeste! Sem contar quando elas não são trilha sonora propriamente dita, em versão clássica...

Cenas de ação: como WestWorld lida com conflitos entre personagens sem treinamento em artes marciais ou manejo de armas brancas, as cenas de combates não são espetaculares, mas ainda são melhores que as coreografias de “Punho de Ferro”...

Roteiro: como eu já disse no título e durante a análise em partes, WestWorld é um seriado que segue a tendência GoT visando um público adulto que quer ver uma obra visceral e violenta. O que o torna diferente é a sua preocupação com o processo de contar histórias e fomentar a clientela que sustenta o parque (o que torna a série uma boa dica para escritores).

Plot Twist: como não vi a série conforme era exibida, não peguei a série de teorias que o povo foi formando na internet. Ao mesmo tempo, não vi os gatos pingados revelando o que, a meu ver, é um ponto de virada ainda maior que a revelação que Bernard também é um robô.

Conforme fui vendo a série, fui me identificando com William pelo seu caráter íntegro e expressão simpática. E torcia para que ele não encontrasse o implacável Homem de Preto, pois sabia que o personagem que eu tanto gostava ia acabar morrendo.

Infelizmente (ou felizmente, se analisarmos a função do plot twist, que é surpreender), o personagem que eu tanto admirava acaba se revelando como um passado do Homem de Preto e, mais uma vez, a HBO mostra que não quer trabalhar com personagens íntegros como um Superman deveria ser nos cinemas ou o Capitão América é representado pelo Chris Evans. É triste, mas é surpreendente.

*

Muito está sendo especulado sobre a segunda temporada de WestWorld. Alguns acham que ela será no mesmo parque temático, outros acham que serão em outros parques (quem sabe não pode ser no parque samurai...) e é preciso confirmar quais personagens voltam.

Teremos que esperar até 2018.

Obrigado a todos(as).

Voltem! Por favor, voltem!

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