sábado, 25 de junho de 2016

Capitão América - Guerra Civil



Por Davi Paiva

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS!!!

O terceiro filme de uma franquia sempre assusta. Nem todos têm a sorte de produzirem boas sequências como "De Volta para O Futuro 3", "O Senhor dos Anéis 3" ou "Toy Story 3" e acabam produzindo coisas como "Homem Aranha 3" ou "Matrix Revolutions"...
O final de "Capitão América - Soldado Invernal" não só deixava o gancho para uma continuação como também indicava que ele seria rodado na Europa. E quem viu "Carga Explosiva 3" (outro filme ruim. E também o terceiro da sequência!) sabe que filmes americanos na Europa são ruins em sua maior parte.
Houve uma grande repercussão quando foi anunciado que o terceiro filme do maior super-herói da Marvel seria uma adaptação da saga em quadrinhos com o mesmo nome. Alguns alegaram que não havia heróis suficientes, outros reclamaram da ausência do Homem-Aranha e ainda havia quem torcesse o nariz pela falta dos mutantes (embora eles tenham tido atuações discretas nos quadrinhos).
E se somarmos com as produções de 2016 (um Deadpool para adolescentes e um Batman VS. Superman para fãs), o cenário para filmes de super-heróis não estava favorável.
Com tantos motivos para ser ruim... como "Capitão América - Guerra Civil" conseguiu ser tão bom?
Assisti ao filme no bom e velho Shopping Center 3 (bem que podiam me dar descontos! Eu sempre vou lá...) no feriado de 1º de maio. Foi uma sessão bem cheia, mas que valeu a pena. O que conferi? Vamos ver a seguir...

ESCOLHA DE ELENCO: sem nenhuma troca de elenco com o que foi visto em Vingadores, a Marvel assegura a identificação de personagens. E a inclusão de Chadwick Boseman como Pantera Negra é mais um acerto. Com um bom tom de voz e expressões, ele deu vida a um personagem respeitável, durão e motivado.


Chadwick “Pantera Negra” Boseman. Escolha ruim? Duvido!


E falando em tom... Tom Holland esbanjou carisma como Homem-Aranha. De garoto envolvido em situações urbanas, de repente ele foi visto trabalhando para o "senhor Stark" e sendo obrigado a enfrentar a lenda viva da Segunda Guerra. Não é por acaso que o Cabeça de Teia teve mais falas que o Superman no filme BvS...
Agora colocar a Marisa Tomei como tia May me fez pensar: quem seria o tio Ben? Tom Cruise?
No mais, Martin Freeman como Everett Ross foi a escolha mais grandiosa para um papel tão simples. Seja como for, Marvel é Marvel...
Ainda há um ator que me deixou surpreso. Mas falo dele mais adiante.

ROTEIRO: era fato que o filme não ia ser uma produção fidedigna à HQ. Nos quadrinhos, tínhamos os Vingadores, alguns X-Men e aliados como Cable, o Quarteto Fantástico e heróis urbanos como Homem-Aranha e Demolidor. Muitos heróis exigem backgrounds que não se pode criar em um filme só.
E para aqueles que esperavam ver uma "Briga de Rua Civil", quebraram a cara: o filme já começa como uma excelente cena de ação que culmina no sacrifício de um vilão que, a meu ver, poderia ser utilizado mais para frente (Ossos Cruzados, interpretado por Frank Grillo) e uma explosão que não só faz referência aos quadrinhos como também vira a gota d'água das ações dos Vingadores.
A seguir, temos a apresentação dos personagens e suas situações: um Homem de Ferro desestabilizado não só por estar sem a Pepper como tendo que relembrar a perda dos pais, um Capitão América a um passo de perder seu último elo com o passado e ainda sendo obrigado a agir de acordo com a forma como burocratas queriam (em Capitão América - O Primeiro Vingador, ele se rebelou e salvou soldados prisioneiros. E em O Soldado Invernal, ele faz a SHIELD lutar contra a Hidra. Será que não suspeitaram que ele ia se rebelar de novo?), um Gavião Arqueiro que não gostou de ver a Feiticeira Escarlate sendo tratada como prisioneira pelo Visão, um Homem Formiga que idolatra o Capitão América (e aprendeu com o seu mentor a não gostar da família Stark) enfim, todos tinham um motivo para estarem lá. Não é uma coisa do tipo "assista ao próximo filme e entenderá porque o Robin não está aqui".
E as coisas não param por aí: há cenas de ação, de perseguição, de humor (incrível como Anthony "Falcão" Mackie e Sebastian "Soldado Invernal" Stan conseguem ter uma química para piadas em poucos segundos...) e excelentes pontos de virada. A grande cena de combate no aeroporto, que para muitos foi estragada pelos trailers com a revelação do Homem-Aranha, se mostrou surpreendente não só pela virada de jogo com as ações do Homem-Formiga como também pelo seu término dramático com a queda de Rhodes.


Anthony "Falcão" Mackie, Sebastian "Soldado Invernal" Stan e... quem é esse velho no meio deles? Não faço ideia...


Nos momentos finais do filme, já não fazia mais sentido a luta entre o Homem de Ferro contra o Capitão América e o Soldado Invernal, mas eis que temos mais um ponto de virada! Homem de Ferro, ciente do motivo da morte de seus pais e que seu amigo escondia a verdade o tempo todo, assume o fardo de vingador (o arquétipo. Não o grupo) e tenta matar o Soldado Invernal. Mas em uma batalha inteligente, os dois soldados vão quebrando peça por peça da armadura do Tony e a luta termina de forma incrível!

CENAS DE AÇÃO: Anthony e Joe Russo são diretores incríveis para cenas de ação e já tinham provado isso em Soldado Invernal. Agora eles voltam com táticas ainda melhores: Capitão pedindo a Bucky que não mate os policiais, Pantera lutando com um estilo de luta que lembra muito o Kung Fu Garra de Tigre, Viúva Negra perguntando se ela e o Gavião ainda serão amigos e ele respondendo "depende de com quanta força você vai me acertar" e os dois soldados quebrando peça por peça da armadura do Homem de Ferro... tudo sensacional!


Irmãos Russo: os “mito das mitage”


O VILÃO: vi algumas críticas negativas a respeito da atuação de Daniel Brühl (aqui está o ator que faltava! Ah!) no papel de Zemo. Apesar do ator não ter uma expressão maligna e intimidadora tal qual Jon Bernthal consegue fazer no papel de Justiceiro no seriado do Demolidor (recomendo!), a situação só não chegou a ser algo intragável tal qual o Lex Luthor de BvS porque o roteiro foi inteligente. Zemo é um personagem treinado, motivado, com acesso às informações e ciente que não pode enfrentar qualquer super-herói em um combate direto. Logo, sua tática é colocá-los uns contra os outros. E diferente do vilão da DC, ele só ia perder porque queria (enquanto o Lex quase morreu com um soco do Doomsday). Portanto, concluo que ele foi bom para a trama.


Vai ter foto dele, sim! E se reclamar, vai ter duas!


TRILHA SONORA: ora instrumental, ora com o bom e velho rock. Destaque para a música "Left Hand Free" que toca no momento em que peter Parker é apresentado ao público.

OUTROS DESTAQUES: os cortes de cena são incríveis. Expondo os nomes dos locais, os irmãos Russo seguem aquela linha de filmes de espionagem e conspiração que revelam onde a trama vai acontecer além de prepararem o público para o trecho em que aparece "Queens". Nessa hora, não tem como não pirar...
Emily Vancamp teve atuações discretas no papel de Sharon Carter, mas adoráveis. Quando sua personagem não motivou Steve Rogers, ela contracenou com Chris Evans uma doce cena romântica.
O rejuvenescimento de Robert Downey Jr. foi incrível!

A conclusão geral é que Guerra Civil mostra que a Marvel começou muito bem sua fase 3. Os próximos filmes prometem ser incríveis: com Doutor Estranho, vamos ter a magia. Com Thor - Ragnarok, vamos ter a pancadaria. Com Pantera Negra, vamos ter mais trechos com o novo super-herói apresentado ao público. E com Guardiões da Galáxia 2... vamos ter a zoeira!

Até a próxima, pessoal!

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