domingo, 9 de novembro de 2014

Naruto acabou... E já vai tarde







Por Davi Paiva





Lembro de conhecer esse anime em 2006 por intermédios de amigos. Assisti ao primeiro DVD de 13 episódios e já perguntei:

— O Naruto vai dominar o poder da raposa e o Sasuke vai dominar o tal do Sharingam. E a Sakura, o que vai fazer?


Ou seja, por mais que o anime tivesse tido uma abertura carismática (lembro de ter rido com o Oiroke no Jutsu) e bem explicada (o garoto era portador de um demônio-raposa dentro de si), seu final já era muito claro.


Caso você tenha ficado em coma nos últimos anos, estou falando da obra Masashi Kishimoto que conta a história de Uzumaki Naruto, um garoto que adora chamar a atenção, de roupa laranja, olhos azuis e cabelos loiros, que frequenta uma escola para se tornar um ninja (como diria o Dado Dolabella, ele traiu o movimento com esse jeito todo espalhafatoso). O desenho possui mais de 200 episódios na primeira fase, e a segunda fase, Naruto Shippunden, prefiro nem contar.



Naruto. Traindo a essência dos ninjas assim como um certo vampiro pirilampo acabou com todo o movimento...



Não vou negar que assisti à primeira fase assim como a segunda, li os mangás por intermédio de um amigo e acompanho a história por conviver com fãs. Mas o que me fez deixar de procurar a história?


Simples. O desinteresse e o desgosto.
            

É fácil gostar de uma história shonen quando se tem 19 anos. O duro é viver até chegar aos 27 e ver que a história não evolui em termos de maturidade, poderes ou espaço para os personagens brilharem. Vamos recapitular só usando os poderes do Naruto:


· Começo da série: seu único poder é virar uma mulher nua (?!);

· Primeiros episódios: ele aprende a fazer clones e ao que parece, ninguém mais faz isso (só lááááááá para frente que isso é explicado);

· Depois de um tempo que você poderia gastar assistindo a um desenho melhor: ele aprende uma técnica chamada Rasengam, que apesar de parecer um golpe bacana, não passa de um melão de chakra (o cosmo/ki/soma/Força desse anime) que gira rápido na mão do usuário;

· Na outra temporada, uma centena de episódios depois: Naruto aprende que o seu golpe está incompleto e o aperfeiçoa, mas é impedido de usá-lo;

·  Muito mais para frente: na falta de golpes, ele aprende a ter formas de combate no melhor estilo Black Kamen Rider, como o Senin, modo Kyubi e a soma dos dois.

Yuyu Hakusho: história curta onde todos tiveram oportunidade de brilhar. Por que é tão difícil repetir essa fómula?


Outra coisa que é possível notar é a forma como autor conduziu a história sobre quem são os inimigos:



· Começo: a Vila da Água será a inimiga;

· Depois: a Vila do Som é a inimiga;

· Em seguida: a tal da Akatsuki é inimiga (uma quadrilha com menos de 10 pessoas contra várias cidades);

· Em Naruto Shippunden: um dos integrantes morre e o outro fica gravemente ferido (Deidara);

·  Aos poucos: todo mundo vai morrendo;

· Quando estão acabando: é revelado que Pain são 7 caras;

·  Depois da revelação: Naruto derrota todos eles;

· Quando estava acabando: TODO MUNDO (inclusive personagens somente mencionados, como os outros Kages) são ressuscitados.


Esse conceito eu chamo de “rebobinar”, isto é, quando a história está prestes a acabar, o autor força a trama para continuar mais um pouquinho...



Eu não vou entrar em detalhes sobre personagens que aparentavam ser muito bons e tiveram que ser menos usados para não tirar o brilho do protagonista (Rock Lee & Cia.), não vou reclamar de quem me chamar de hater (eu escrevi isso porque quis e vocês também escrevem o que quiserem) e muito menos vou entrar no âmbito do criador não ser bom em lidar com romances e tentar fazer um novo Dragon Ball Z (que quando você analisa o roteiro, vê que é só outro desenho de porrada). 


Reconheço que o desenho marcou uma geração de otakus que não enxergam o roteiro por causa de porradas, mulheres bonitas e a baixaria das falas do Sai (que transformou o desenho em um programa do Ratinho). Não farei nada disso.

Death Note. O Japão ainda produz boas histórias. Só são raras


A única coisa que posso dizer é que da mesma forma como os fãs que cresceram assistindo aos Cavaleiros do Zodíaco, podem ficar tranquilos que esse não é um fim definitivo. Acredito que ainda irão produzir filmes, sagas anteriores e o que mais for necessário para matar a saudade dos fãs. O mercado consome dinheiro e história concluída é algo que não rende. Portanto nem todo roteirista sabe colocar a quantidade certa de episódios então sempre dá um jeito de estender e estragar tudo, tal qual teremos com Toy Story.





Obrigado a todos(as).

Um comentário:

  1. Concordo totalmente, acompanhei a primeira fase inteira gostando muito, eu tinha mais ou menos 16 anos na época. E ,mesmo naquela época, sempre senti que faltava algo mais.
    O começo do anime foi bem promissor, divertido e "inteligente", porém, com o passar dos episódios, ele fica repetitivo e enrola bastante. Mas, como um bom desenho de porradaria, assisti a fase inteira achando o máximo. Só que, com a chegada de uma nova fase e mais "1500 episódios", ficou difícil ter saco pra acompanhar episódios e mais episódios de enrolação e repetição, isso sem falar dos filler eternos pra tornar a história ainda maior e mais cansativa, tenho vontade de tentar assistir a esses milhões de episódios que ñ vi, pra finalmente ver o desfecho dessa história toda, mas confesso que me falta paciência... e tempo, lógico!

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