domingo, 3 de junho de 2018

Deadpool 2 – O Time que Está Ganhando



Por Davi Paiva


ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS!!!


O sucesso do primeiro filme do Deadpool é inquestionável. Com orçamento de US$ 58 milhões, a produção de 2016 faturou US$ 783 milhões ao redor do mundo e surpreendeu a todos com uma nota de 83% no Rotten Tomatoes. Quem diria que, em meio à briga entre Marvel-Disney e DC-Warner, uma produção voltada ao público mais velho, com um pouco mais de foco na trilha sonora e vindo da Marvel-Fox, teria tanto destaque que faria todos darem uma segunda chance ao ator Ryan Reynolds...

E como toda obra que faça sucesso e seja possível fazer uma continuação, a Fox investiu nisso e chamou todo o elenco de volta, além de incluir caras novas, das quais falarei detalhadamente mais para frente.

A campanha de marketing envolveu vídeos com Celine Dion, David Beckham e até tatuagens grátis. E tudo na boa e velha zoeira do super-herói mais querido dos “hue BR”.

O filme estreou em 17 de maio e conseguiu ter uma boa abertura no Brasil, arrecadando mais de R$ 21 milhões.

Fui ver o filme no bom e velho Center 3. E o que achei? Vejamos...

Elenco: repete o mesmo do filme anterior e ainda tem alguns acréscimos, sendo que dois tiveram muito destaque. O primeiro foi Josh Brolin, interpretando Cable, por seu papel em outro filme da Marvel: Thanos. Sem sombra de dúvidas, fazer um antagonista e um vilão em dois filmes mostra como o ator possui versatilidade e carisma.


Se Cable usasse a Manopla, nem toda regeneração do mundo salvaria o Deadpool...


Já o outro destaque foi pela polêmica: Zazie Beetz foi escalada para fazer o papel de Dominó, uma mutante com o poder da sorte. Qual é a polêmica? Que os fãs de HQs acharam que era “blackwashing” escalar uma mulher negra para fazer o papel de uma personagem branca nos quadrinhos... sendo que o criador dela, Rob Liefeld (também criador do Deadpool), a concebeu como uma personagem com traços negros (sim! Pessoas negras também possuem narizes arrebitados e pequenos. Nem todos são o Djimon Hounsou...).


Dominó: como a venderam para você nas HQs... e como o autor a criou.


Roteiro: começa mostrando como Wade Wilson ainda continua sendo um “mercenário do bem”, eliminando pessoas ruins e ganhando por isso. Tudo sem perder a sua rotina com sua namorada, Vanessa. Até aí, ok.

Infelizmente, da mesma forma que o primeiro filme foi bem clichezão com a ideia de transformar a companheira de Deadpool na mocinha indefesa a ser salva, o segundo filme também não foi muito original com a ideia de mata-la logo no começo para motivar as ações do personagem. O que na indústria do entretenimento, é chamado de “mulher na geladeira”. Tamanha foi a repercussão do fato que até os produtores tiveram que ir à imprensa se justificar.

NOTA IMPORTANTE: sei que Deadpool não é um filme para ser um marco na representatividade, que é um filme zoeiro e tudo mais. Porém, acredito que o humor deva, sim, seguir um limite, que é o do do bom senso. E com a produção de uma continuação, esperava que eles não repetissem os mesmos erros do primeiro filme. Estamos conversados? Segue o jogo.

Feito isso, o filme entra numa vibe de zoeira, melancolia e um Wade sem rumo na vida até a entrada de Cable, um viajante do tempo com um propósito: matar Russel/Firefist, um jovem mutante antes que ele cometa seu primeiro assassinato e tome gosto por isso. E fica ainda pior quando o tal mutante liberta o Juggernaut e o torna seu aliado.

Wade, que já havia tentado formar o seu time, X-Force, vê que não vai ser capaz de deter Russel e Juggernaut. E Cable, sozinho, percebe que também não é capaz. Por isso, o protagonista se une ao antagonista e chamam o que restou da X-Force (para ser mais exato, só havia restado a Dominó) com Colossus e juntos, vão ao antigo lar de Firefist impedir que o garoto cometa seu primeiro homicídio.

A trama envolve boas cenas de luta, um final comovente e uma mudança no caráter de Cable, que salva Deadpool de uma morte certa.

Piadas e trilha sonora: o primeiro item se manteve na constante do primeiro, fazendo piadas com as produções da Fox, da Disney, da Warner e até de clássicos como “O Exterminador do Futuro”.

Já o segundo item foi pouco trabalhado. Diferente do primeiro, onde criaram um propósito para a música “Careless Whisper” fazer parte da trilha sonora, o segundo filme não teve uma música marcante.


Cena pós-créditos: não acrescenta muita coisa (exceto pelo fato de Wade voltar no tempo e salvar Vanessa. O que não muda o lance de terem usado a personagem como “mulher na geladeira”). O resto são só piadas com produções da Fox ou da carreira de Ryan Reynolds.

Em suma, Deadpool 2 não é um filme melhor que o primeiro. E nem é pior (ainda bem!). Ele é só o resultado de um sucesso lançado em 2016 que preferiu não ousar como algumas continuações (Homem-Aranha 2, Capitão América – Soldado Invernal, O Exterminador do Futuro 2, etc.) e preferiu não mexer no time que estava ganhando.


Obrigado a todos(as).

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