domingo, 8 de abril de 2018

Thor: Ragnarok - tá bom, mas tá ruim




Por Davi Paiva

ATENÇÃO: CONTÉM SPOILERS!!!

Falar dos filmes do Thor não é uma tarefa fácil, pois ele não é um personagem qualquer dentro da Marvel. Além de ser uma criação de Stan Lee, Larry Lieber e Jack Kirby, em agosto de 1962, inspirado no deus mitológico nórdico de mesmo nome, é nada menos do que um personagem que mistura ciência e magia dentro do universo da famosa “Casa das Ideias”, além de ser um membro da primeira formação dos Vingadores.

Se acham que usar um personagem de tamanho poder já é difícil nas HQs, imaginem em desenhos animados ou filmes... Não é por acaso que ele só fazia pontas em episódios de “Homem-Aranha e Seus Amigos” ou no desenho animado do Quarteto Fantástico. Em filmes com atores reais, só uma participação em “O Retorno do Incrível Hulk” em 1988. Depois disso, duas animações: “Os Supremos - O Filme" de 2006 e "Next Avengers: Heroes of Tomorrow" de 2008. Sendo esta última mais voltada para apresentar a sua filha, Torunn.


Thor de 1988: e você reclamando da atuação do Chris Hemsworth...


No universo cinematográfico da Marvel, os filmes do deus do trovão sempre foram alvo de duras críticas. O primeiro, de 2011, só serviu para apresentar o personagem, o Tesseract e o Loki, elementos importantes do primeiro filme dos Vingadores, do ano seguinte. E o segundo, “Thor: O Mundo Sombrio”, 2013, só serviu para apresentar mais uma Joia do Infinito (o éter, que é a Joia da Realidade). Ambos, respectivamente, obtiveram 77% e 66% de aprovação no Rotten Tomatoes.

O terceiro filme, de 2017, veio com uma pegada bem diferente: 92% de aprovação no RT, direção de Taika Waititi, que deu liberdade aos atores para que os mesmos improvisassem falas em 80% do filme e duras críticas em blogs e podcasts.

Assisti ao filme no mesmo lugar de sempre ( o PlayArte do Center 3, que nunca me dá ingressos!). E tirando um babaca que não largava o celular, não tive muita dificuldade de apreciar o filme.

Apreciei? Sim. Por quê? Vamos por partes...

Elenco: todos voltaram, seja para cenas que finalizaram as jornadas de seus personagens (como aquele time de amigos do Thor), seja para serem introduzidos no universo Marvel.

Se por um lado tivemos um Karl Urban desperdiçado como Skurge, e um Jeff Goldblum que não acrescenta muita coisa ao universo cinematográfico nem nas cenas pós-créditos, temos Cate Blanchett como uma Hela que rouba a cena, pisa em todos os personagens e ainda desfaz tudo que foi sendo construído até então.


Às vezes, um vilão precisa de um capanga para ter com quem conversar...


Mas se há um ator que merece destaque, com certeza é Anthony Hopkins. Na cena que Thor volta a Asgard, ele encontra Loki disfarçado de Odin em uma versão pró-Loki. Ou seja: Hopkins interpretou Loki... disfarçado de Odin... bajulando Loki! Que ator maravilhoso...


Tessa Thompson como Valquíria: Michelle Rodriguez genérica?


Fora isso, tivemos Mark Ruffalo como um Hulk mais calmo (se é que isso é possível) e um Bruce Banner desesperado, além de um Benedict Cumberbatch sendo um Doutor Estranho apresentado a um Vingador e mostrando que aprimorou as suas magias desde o seu filme solo (aproveite e leia a minha crítica sobre o filme dele).

Roteiro: muitas pessoas reclamam de filmes com péssimas direções. Eu, particularmente, como escritor, prefiro focar na narrativa. E o que eu tenho a dizer desta é... complicado.

O filme começa muito bem, com uma boa cena de ação, piadas e a trilha sonora do Led Zeppelin. Legal.

Depois da revelação de Loki e o encontro com o Doutor Estranho, somos repassados à despedida de Odin. Tão legal como comovente.

A entrada da Hela e a destruição do martelo geral um “uau” inacreditável. E a derrota de Thor e Loki durante o teleporte dão uma crescente ao filme.

E depois de tudo isso, o que temos? Um segundo ato ainda mais parado e mais quebrado do que o de “Guardiões da Galáxia vol. 2”! Muitos fãs reclamaram dos constantes choques que Thor levava da rede elétrica e do taser aplicado pela Valquíria (algo que eu discordo, pois ser o deus do trovão não garante imunidade ao raio que você NÃO conjura... sem contar que as veias dele saltavam e ficavam roxas, indicando que não era um choque comum...), que fez do Thor o saco de pancadas da galera e quebrou a sua espetacular cena contra o Hulk.


Malandro reclama que o Thor sofreu com choques... e não aguenta nem uma Benzetacil


Por sorte, o terceiro ato retoma muito do que o filme construiu: a ideia que Thor jamais precisou do martelo para conjurar raios, um drama (lembro da galera gemer de dor na sala do cinema quando o protagonista perde um olho), ação, comédia e trilha sonora.

Cenas de ação: não ficaram ruins. Ou são bobas como um Thor arremessando um Loki em seus inimigos ou são tão intensas quanto o Hulk saindo na porrada com Fenrir.

Piadas: divertem, mas transformam o que era para ser uma coisa trágica, que é o fim do mundo nórdico, em uma grande piada. Uma pena.

***

Saí do cinema, li críticas e ouvi podcasts procurando críticas sobre o filme. É quase unânime que muita gente mais acessível como o pessoal do Pastel Nerd ou do Zoneando Podcast não gostou do filme.

Eu, particularmente, saí satisfeito. Contudo, esse não é um filme que eu defenda com unhas e dentes.

É melhor que os anteriores? É.

É melhor que algumas produções da DC? Perde para o filme da Mulher Maravilha e empata com o da Liga. O resto, supera.

O Thor ainda continua sendo um personagem dentro do universo cinematográfico da Marvel com os piores filmes já lançados? Sim.

Os filmes acrescentam algo no universo? Sim.

Usam esses filmes para não criarem filmes dos Vingadores com quase três horas de duração? Sim.

Tá bom, mas tá ruim? Paciência.

Obrigado a todos(as).

2 comentários:

  1. Sua crítica está bacana. Já o filme... prefiro não comentar. :-P

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